ENCONTROS FREIRIANOS

Educação de Jovens e Adultos no Brasil e em Angola foram tema de Mesa de Diálogo no Fórum Social Mundial 2015

Um desses sonhos para que lutar,
sonho possível mas cuja concretização demanda coerência, valor,
tenacidade, senso de justiça, força para brigar,
de todas e de todos os que a ele se entreguem,
é o sonho por um mundo menos feio,
em que as desigualdades diminuam,
em que as discriminações de raça,
de sexo, de classe sejam sinais de vergonha
e não de afirmação orgulhosa ou
de lamentação puramente cavilosa.
No fundo, é um sonho sem cuja realização
a democracia de que tanto falamos,
sobretudo hoje, é uma farsa.

Política e Educação, Paulo Freire

A 11ª edição do Fórum Social Mundial foi realizada de 24 a 28 de março de 2015 na Túnísia, reunindo cerca de 45 mil pessoas e 4.400 organizações de 122 países. O ataque terrorista que marcou o país seis dias antes da abertura oficial do evento provocou algumas desistências, mas não evitou que militantes do mundo todo se reunissem para compartilhar sonhos e lutas, construir convergências e potencializar transformações em prol de um mundo mais justo.

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FSM 2015 realizado na Tunísia

Segundo lideranças tunesinas, o ataque terrorista que provocou a morte de 24 pessoas de várias nacionalidades e deixou outras 45 feridas, fez com que “os sangues dos povos se misturassem”. Imagem triste mas bastante simbólica naquele contexto. As diferentes atividades realizadas durante o FSM 2015 no Campus da Universidade El Manar trouxeram a tona inúmeras denúncias de injustiça social, fizeram com que feridas históricas fossem desveladas em busca de solidariedade e de construção coletiva de soluções.

A atual crise do modelo de desenvolvimento capitalista foi explicitada, evidenciada. Depoimentos de militantes do Sahara Ocidental, da República Democrática do Congo, da Palestina, do povo Curdo, de comunidades da periferia de São Paulo, de militantes quilombolas, de povos indígenas, de jovens urbanos e de movimentos de mulheres, entre outros, se entreteceram no contexto do FSM 2015.

Marcha de abertura do Fórum Social Mundial 2015

A Declaração dos Movimentos Sociais, documento elaborado durante o FSM 2015 logo após a realização da Assembleia de Convergência, reafirma a importância do engajamento da sociedade civil mundial na construção de estratégias comuns de enfrentamento ao capitalismo. O documento destaca algumas lutas consideradas imprescindíveis: a luta contra as transnacionais e o sistema financeiro (FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio), por justiça climática e soberania alimentar, contra a violência contra a mulher, pela paz e contra a guerra, contra o colonialismo e as ocupações de militarização nos territórios, em prol da democracia das mídias de massa e da construção de mídias alternativas e ainda, em prol da luta por resistência e solidariedade.

Os sangues dos povos do mundo se misturaram, da mesma forma como se misturaram os sonhos e a vontade de realizá-los.

Nesse contexto, a delegação brasileira contribuiu de forma significativa.

Durante todo o ano de 2014, um grupo de sete organizações esteve a frente de um amplo processo de mobilização e rearticulação da sociedade civil brasileira em torno do processo do FSM. Uma dessas organizações foi o Instituto Paulo Freire.

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Atividade autogestionada: “Educação de jovens e adultos e direitos dos povos”, na Tunísia

Certamente o processo de mobilização realizado contribuiu para a representatividade das organizações brasileiras em Túnis. O Brasil levou a terceira maior delegação estrangeira ao FSM 2015, tendo 160 organizações inscritas e 129 atividades autogestionadas realizadas. Ficou atrás apenas da Nigéria, do Marrocos e da França.

Uma das atividades inscritas por organizações brasileiras foi a mesa de diálogo “A educação de jovens e adultos e direito dos povos”, promovida pelo Instituto Paulo Freire- Brasil, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras). Na ocasião, Geanne Campos, representando o Projeto MOVA-Brasil, e Angelo Kapwatcha, pelo Fórum Regional para o Desenvolvimento de Angola, apresentaram as experiências de educação popular de jovens e adultos dos dois países.

O Instituto Paulo Freire realizou também uma atividade estendida da autogestionada “Democracias: novas estratégias de participação popular para o empoderamento da sociedade civil”, realizada em Túnis. Os participantes que estavam no Brasil assistiram pela internet ao debate realizado na Tunísia e, na sequência, discutiram sobre o tema na perspectiva da educação. Dessa forma, paralelamente às atividades do FSM realizadas em Túnis, foi realizada, na sede do Instituto Paulo Freire, em São Paulo, a mesa de diálogo “A Educação e a construção da Democracia Participativa”. Esta teve como debatedores Moacir Gadotti (FME/IPF), Terezinha Vicente (Ciranda e Fórum Mundial de Mídia Livre) e Roberto da Silva (FE-USP). Educadores do projeto MOVA-Brasil, espalhados por 11 estados brasileiros, participaram do debate a distância.

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Marcha de Abertura do FSM 2015

Assim como o Instituto Paulo Freire, mais de 100 outras organizações ao redor do mundo inscreveram “atividades estendidas” do FSM 2015, ou seja, atividades realizadas em diferentes lugares do mundo mas em diálogo com as atividades presenciais que aconteciam na Tunísia, ampliando desta forma a abrangência da 11ª edição do FSM e potencializando sua incidência política.

Para muitos, o Fórum Social Mundial se apresentou, mais uma vez, como importante espaço de diálogo no sentido de construção de estratégias para o enfrentamento da crise civilizatória em que estamos inseridos.

Como nos ensinou Paulo Freire, na dramaticidade da hora atual, é preciso criar condições de “esperançar”.

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