ARTE E PAULO FREIRE

PUC-SP Homenageia Paulo Freire

“A educação como prática da liberdade,
ao contrário daquela que é a prática da dominação,
implica a negação do homem abstrato, isolado, solto,
desligado do mundo,assim também a negação do mundo
como uma realidade ausente dos homens”.

A Educação como Prática da liberdade, Paulo Freire

Em 2014, ano do cinquentenário do golpe militar – processo que resultou no exílio do educador Paulo Freire (1921-1997) –, os estudantes de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), ao lado dos coletivos Periferia das Ideias e EtiopiaHz, e com o apoio da reitoria, resolveram intervir artisticamente nas paredes cinzas da universidade. Entre as figuras grafitadas, está Paulo Freire. O artista Jefferson Vaniski é o responsável pela obra.

Segundo Cauê Ameni, graduando de Ciências Sociais, a medida foi tomada com o intuito de mostrar que é possível fazer políticas de transformação dentro do campus. “A universidade já foi vanguarda em responder questões da cidade. Hoje, ela está fechada em si mesma e trata os assuntos hermeticamente, isso quando não se enrola em sua própria burocracia”, afirma Cauê.

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Jefferson Vaniski na PUC-SP.

Paulo Freire foi professor do Programa de Educação da PUC quando voltou do exílio, entre os anos de 1980 e 1997. Quando questionado sobre o motivo da escolha do patrono da educação brasileira, Cauê respondeu: “Além de esteticamente conhecido, tínhamos a obrigação moral de colocar o rosto de um intelectual de renome internacional nas paredes da PUC-SP. Ele foi acolhido pela universidade quando estava sendo perseguido pelo Estado governado pelos militares”.

A iniciativa não só gravou o rosto de Paulo Freire nas paredes da universidade, como também ampliou a visão e o interesse dos envolvidos pelo educador. A graduanda do segundo ano de Relações Internacionais, Maria Luiza Rocha, acompanhou o processo de grafitagem. “Não sei ao certo se ele (o artista Jefferson Vaniski) já conhecia a obra do Paulo Freire, mas na nossa conversa ele sabia que Paulo Freire escreveu Pedagogia do Oprimido”, disse ela.

Jefferson conta que aprendeu mais sobre o educador durante a interação. Relatou que costuma pesquisar sobre as personalidades que pinta, antes de produzir os grafites. “Paulo Freire foi um dos homens mais importantes da alfabetização no Brasil, mostrando que todos nós temos a capacidade de aprender e evoluir cada vez mais”, assegura o artista.

As paredes da PUC-SP têm, agora, uma homenagem à figura de Paulo Freire. E mais do que isto: o grafite ilustra a continuidade e atualidade da obra do educador.

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