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Cátedra de Cuba estuda Paulo Freire para fortalecer a prática dos educadores no país.

“Golpe na raiz, amar sem medo.
Desde o exílio…não mudou seu sonho.
Desde a ausência…
não há sonho sem esperança,
não há história sem sonho.
Alfabetização … ninguém sabe tudo.
Alfabetização … ninguém sabe nada.
Em liberdade … ensino da aprendizagem.
Em verdadeira liberdade palavra …
Liberdade … transformar o mundo”

Tia Rosa, Canção a Paulo Freire

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Dr. C. Mariano Alberto Isla Guerra, coodenador da Cátedra de Estudos Comunitários Paulo Freire

A “Cátedra de Estudos Comunitários Paulo Freire”, localizada em Cuba, vem realizando estudos sob coordenação do professor Dr. C. Mariano Alberto Isla Guerra. Segundo o grupo de pesquisadores, coordenado pelo professor, a importância do pensamento pedagógico de Paulo Freire para os processos educativos em Cuba perpassa várias esferas do campo pedagógico.

Utilizar a perspectiva freiriana, segundo Guerra, já de início permitiu ao grupo o movimento de olhar para a história da pedagogia cubana a fim de encontrar nexos e pontos de confluência entre a prática ali existente e a concepção libertadora. Esta ação facilitou a expansão do conhecimento da herança pedagógica latino-americana de modo que as práticas se aproximassem mais da história do país e não dos traços da Europa do Leste.

Na dinâmica do grupo do Professor Dr. Guerra, Freire, relata ele, permitiu processos educativos dinâmicos que eram promovidos a partir das comunidades, cobrando consciência de seus atores sobre o caráter participativo e transformador das mesmas. Em relação ao/às educadores/as, a prática freiriana colocou em suas mãos uma ampla gama de ferramentas didáticas e uma substantiva fonte de concepções teóricas e metodológicas que ampliaram suas habilidades pedagógicas.

O pensamento de Paulo Freire permitiu abrir caminhos para a metodologia qualitativa sócio crítica de investigações no campo acadêmico, atraindo a cada dia novos adeptos. Confirmou o quão inesgotáveis são os espaços educativos enquanto fontes de conhecimento e base de desenvolvimento endógeno, necessário a Cuba, de acordo com Guerra. Despertou a criatividade e a flexibilidade na concepção, desenho e execução dos processos educativos. Permitiu a inclusão de outros sujeitos sociais, tradicionalmente postos à margem do mercado de trabalho (homossexuais, prostitutas, ex-presidiários, desempregados e os que não estudam, entre outros), ampliando a incidência dos mesmos na educação do país. O professor relatou ainda que diálogos realizados com educadores/as de diferentes organizações e instituições freirianas de Cuba, provocaram os participantes da Cátedra de Estudos Comunitários Paulo Freire a reverem concepções e metodologias de trabalho associativo e institucional para houvesse maior coerência entre seus discursos e suas práticas. Assim, na Associação de Educadores, foi realizada uma gestão participativa de autodiagnóstico. Este processo resultou em um decálogo que tem por objetivo tornar mais democrática a Associação, em cada uma das suas instâncias.

Os pesquisadores da Cátedra de Estudos Comunitários Paulo Freire declaram o seguinte: “consideramos que o pensamento pedagógico de Paulo Freire nos fez crescer como pessoas e profissionais, comprometidos com um projeto social justo e edificante, mas sujeito a ser aperfeiçoado a cada dia a partir das bases. Seu impacto foi sentido na transformação dos nossos pontos de vista sobre o futuro do processo educativo com foco no aspecto transformador e ético”.

Os integrantes da Cátedra cubana acreditam que para alcançar uma maior promoção deste pensamento entre os educadores do seu país, seria necessário investigar a harmonia existente entre a tradição pedagógica cubana e latinoamericana e o pensamento pedagógico e social de Freire. Além disso, entendem que é essencial continuar promovendo, nos espaços educativos já existentes e em outros a serem criados, a flexibilidade de adaptação às circunstâncias e conjunturas de cada lugar, o que exige uma elaboração específica, apesar do emprego da metodologia da Educação Popular, que inclui a concepção dialética de trabalhar a partir da comunidade, interrelacionar a teoria com a prática, a partir dos conhecimentos do cotidiano, da realidade e das percepções que tem sobre ela, fazer perguntas constantemente, problematizar os temas e, assim, mediante a ligação entre o saber científico e o popular, produzir a teorização necessária para conduzir a uma nova prática.

Os participantes da “Cátedra de Estudios Comunitarios Paulo Freire” entendem que seguem sendo palavras chaves na concepção pedagófica de Freire, a libertação do ser social e humano e seu desenvolvimento integral, para isso o educador trabalhou toda sua vida e por isso o grupo defende o socialismo em Cuba.

“Nós temos um inimigo fundamental e um inimigo secundário. O inimigo fundamental é o imperialismo ianque e o capitalismo neoliberal globalizante. O inimigo secundário, de caráter interno, é o burocratismo, com todas as suas sequelas negativas. A Revolução tem em Freire um recurso para a solidariedade, a participação de todos, o compromisso através do reconhecimento do outro, do prazer da honra, das alegrias do espírito. Para tornar duráveis as conquistas alcançadas e manter vivas as utopias.”, diz Mariano Guerra.

Para entrar em contato com Mariano Guerra: maislaguerra@gmail.com

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