ENCONTROS FREIRIANOS

Instituto Paulo Freire de Portugal realiza oficinas do Teatro do Oprimido

A superação da contradição
é o parto que traz
ao mundo este homem novo
não mais opressor;
não mais oprimido,
mas homem libertando-se.

Paulo Freire

No âmbito do seu trabalho de pesquisa e intervenção cívica e política, o Instituto Paulo Freire de Portugal deu início a um ciclo de oficinas de Teatro do Oprimido, buscando o envolvimento de populações diversas como ativistas, trabalhadores sociais, estudantes e pesquisadores. Este ciclo será prolongado para o próximo ano.

As duas oficinas já realizadas foram coordenadas por Inês Barbosa, jovem pesquisadora e ativista social que tem estudado o pensamento de Paulo Freire e de Augusto Boal, explorando as sinergias entre as suas práxis. Nas suas palavras, Inês Barbosa explora “as potencialidades do Teatro do Oprimido enquanto ferramenta ativista e instrumento para uma pedagogia crítica e radical”.

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Oficina do Teatro do Oprimido.

A primeira oficina foi dedicada à iniciação ao Teatro do Oprimido como metodologia teatral de intervenção política, educativa e social que traz à agenda pública o debate acerca de mecanismos, estruturas e desequilíbrios de poder bem como a desocultação de ‘situações limite de opressão’. Esta metodologia tem em vista tanto a emancipação de cada ser humano quanto a transformação social. Para além da breve abordagem teórica acerca da história, princípios e objetivos do Teatro do Oprimido, a oficina lançou mão de estudos de corporeidade através de jogos teatrais e da exploração da linguagem estética: palavra, som e imagem. A oficina culminou com uma sessão de Teatro- fórum no Rés-da-Rua, uma comunidade de jovens, no coração da cidade do Porto.

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Oficina sobre Gênero.

Já a segunda oficina teve seu foco nas questões de gênero. Desenvolvendo-se em torno da temática “Mulheres, liberdade e resistência”, esta atividade explorou particularmente o Teatro – jornal e a estética do oprimido. Para além de aprofundar a reflexão sobre as realidades individuais e coletivas e os conhecimentos nesta forma de intervenção, a oficina permitiu às pessoas participantes experienciar metodologias úteis ao seu desenvolvimento individual e à ação com as comunidades. A oficina culminou com duas apresentações públicas de Teatro – jornal, uma junto à estação de Caminho-de-ferro de São Bento, no centro da cidade do Porto, e outra no âmbito do “Óprima! – Encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo”, que conglomera grupos e indivíduos interessados em provocar o pensamento e a ação crítica face às questões concretas da vida social.

Com Paulo Freire, sustentamos o nosso ideário numa visão esperançosa do mundo, sustentada na capacidade transformadora da humanidade. Num tempo em que as situações de opressão são cada vez mais complexas e multifacetadas, em que ‘o oprimido’ é fragmentado; num tempo em que cresce a olhos visto o número de oprimidas e oprimidos, não só em termos da má distribuição da riqueza e do consequente crescimento da pobreza, mas também em termos da amplificação de situações de falta de reconhecimento e de voz, o recurso do Teatro do Oprimido tem vindo a revelar-se útil à conscientização das populações e à inerente mobilização para a ação transformadora, em contexto.

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Participantes da Oficina sobre Gênero.

Conteúdo enviado por Eunice Macedo do Instituto Paulo Freire – Portugal: ipfportugal@fpce.up.pt

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