ENCONTROS FREIRIANOS

Conferência de Gênero e Educação: experiência de sucesso

Por isto, o comportamento dos oprimidos
é um comportamento prescrito.
Faz-se à base de pautas
estranhas a eles – as pautas dos opressores.

Paulo Freire

O Instituto Paulo Freire – Reino Unido & Pesquisa em Desigualdades, Sociedades e Educação e a Escola de Educação realizaram a 10ª Conferência Bianual sobre a Associação de Gênero e Educação (AGE), realizada na Universidade de Roehampton, em Londres, de 24 a 26 de Junho.

Inicialmente foi realizada uma Pré-Conferência, em formato de workshop, para doutorandos e pesquisadores com carreira recente e artigos publicados em periódicos. A Conferência, realizada posterirmente, foi organizada pelo Professor Debbie Epstein e Dr. Marie-Pierre Moreau junto com o Dr. Kate Hoskins, Professor Gill Crozier, Professora Penny Jane Burke, Dr Sarah O’Flynn e Katja Jonsas, porém o sucesso do evento deu-se, em grande parte, devido ao suporte e comprometimento de Julia Noyce e sua equipe da Roehampton Conference Office.

Os 245 participantes da conferência vieram de diferentes continentes ao redor do mundo e todos concordaram que o encontro foi o maior realizado entre todas as dez Conferências da Associação de Gênero e Educação. Sob os espectros do Feminismo, Poder e Pedagogia, os artigos incluíam tópicos tão diversos quanto o domínio do ensinar e aprender, pedagogias queer, a inclusão de alunos com dificuldade no ensino regular e metodologias pós-humanistas, para nomear alguns.

O programa completo e os resumos dos artigos podem ser encontrados em:http://www.genderandeducation.com/conferences-and-events/2015_conference/2015-gea-conference-programme/

A Conferência foi aberta por Marilyn Holness, Diretora da Escola de Educação que, com uma fala comovente, explanou sobre o comprometimento da Universidade e da Escola com as questões de gênero e igualdade. A primeira palestrante foi a Professora Marília Pinto de Carvalho (USP) que falou sobre a dominação da criação do conhecimento pelo hemisfério Norte e desafiou os participantes a refletirem sobre o assunto.

Professora Marília Pinto de Carvalho (USP) na Conferência de Gênero e Educação: experiência de sucesso.

Professora Marília Pinto de Carvalho (USP) na Conferência de Gênero e Educação: experiência de sucesso.

Outros palestrantes estavam presentes: o Professor Lois Weis (SUNY), abordando a heteronormatividade e o trabalho engajado de mães de estudantes de escolas de elite nos Estados Unidos para ajudar suas crianças a entrar nas universidades da rede Ivy League (1); a Professora Penny Jane Burke (Roehampton) falando sobre questões de gênero, emoções, relações e pedagogia da diferença; a Professora Farzana Shain abordando o impacto da “Guerra ao Terror” nas escolas e na subjetividade de educadores e educandos e a Professora Katarina Barajas Eriksson (Linköping University), que falou sobre como filmes podem ser usados pedagogicamente, e são, eles mesmos, um instrumento para a promoção de discussões de gênero e outras diversidades, nas escolas públicas.

A sessão da plenária contou com a presença de um grupo de ativistas que discutiram o trabalho que fazem e a relação da sua prática com a academia. Também inspiraram os presentes mostrando apresentações de Amaranta Thompson (Iniciativa da International Women) e Anke Adams (Camfes). O ponto alto da sessão foi a apresentação de Ifra e Muna Hassan mostrando o trabalho realizado pela Integrate Bristol, uma instituição de caridade, dirigida por jovens, que combate a mutilação genital feminina e outras formas de violência de gênero. Considerando que a Inglaterra lidera o ranking europeu de casos de mutilação feminina, as irmãs Hassan, corajosas, divertidas e inteligentes, têm sido ativistas desde os seus treze anos (hoje estão com 21 anos). Juntamente com outros companheiros da Integrate Bristol, confrontaram Michael Gove e convenceram-no a mandar cartas para todas as escolas da Inglaterra dizendo que tinham a responsabilidade de prover educação sobre a mutilação genital feminina e de dar suporte às estudantes que tinham medo de sofrer esta violência ou às que tiveram, de fato, passado por ela. Esta primeira plenária foi seguida de vários workshops, com diferentes ativistas, nos outros dois dias do evento.

De forma geral, a Conferência foi um sucesso para a Roehampton e para a Associação de Gênero e Educação. Os comentários nas redes sociais incluíram: “Foi uma conferência maravilhosa e o trabalho que vocês realizaram para fazê-la acontecer foi profundamente admirável”; “Obrigada por uma semana maravilhosa”; “Foi um encontro impressionante entre ativistas, intelectuais, feministas e profissionais do ensino”.

Conteúdo enviado por Penny Burke do Instituto Paulo Freire Inglaterra: P.Burke@roehampton.ac.uk

1 – A Ivy League (em tradução literal: Liga de Hera) é um grupo de oito universidades privadas do Nordeste dos Estados Unidos da América. Atualmente a denominação tem conotação sobretudo de excelência acadêmica.

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