O estado do Mato Grosso possui, como instrumento de formação continuada, o Projeto Sala do Educador. Nele, educandos, educadores e funcionários da escola refletem e debatem sobre o que consideram pertinente estudar durante o ano. A partir disso, elaboram um projeto formativo que é apresentado ao Centro de Formação de Professores – CEFAPRO, criado em 2005. Os Centros têm por finalidade a formação continuada, o uso de novas tecnologias no processo ensino-aprendizagem e a inclusão digital de profissionais da educação básica da rede pública estadual de ensino. Os Centros são distribuídos por região, totalizando 15 CEFAPROs no Estado, todos compostos por professores formadores de todas as áreas do conhecimento.
O CEFAPRO de Confresa atende 13 Municípios, envolvendo 29 escolas, entre elas 8 escolas Indígenas. É neste CEFAPRO, da comunidade Indígena Tapirapé, na escola EIE Tapi’itãwa, que atende 242 alunos, que é realizado o Projeto Sala do Educador. A escola conta com formadores indígenas responsáveis diretamente por fortalecer o estudo das questões e desafios indígenas no processo de formação de novos professores indígenas. O formador Nivaldo Korirai Tapirapé cumpre este papel no CEFAPRO de Confresa de forma bastante eficiente.
Nivaldo, atuando junto à comunidade Tapirapé, identificou a necessidade de realização de um encontro formativo que tivesse como tema a alfabetização das crianças indígenas. O Encontro foi realizado em parceria com a professora-formadora Aurinete Vieira Lima da Fonseca, em junho de 2015, em volta do TIMBÓ. Durante o encontro os professores disseram alfabetizar as crianças por meio de desenhos, mas gostariam de conhecer outras formas de alfabetização que contribuíssem e se somassem às suas práticas. Apresentou-se, então, Paulo Freire.
A praticidade do modo de alfabetizar apresentado por Paulo Freire em 1992 encantou os professores indígenas. Baseados na concepção de que muda-se a forma de caminhar, não o caminho, os participantes levantaram questionamentos sobre como consolidar a compreensão do método freiriano no contexto da aldeia. Foram usadas palavras em Tapirapé para demostrar como uma palavra pode gerar outras. As fichas culturais também foram construídas com imagens da comunidade Tapirapé para que a formação pudesse “se entrelaçar” com a conjuntura do povo local.
Os/as envolvidos/as afirmam que a partir desta formação o método de alfabetização Tapirapé e o freiriano entraram em fusão, tornando um só caminho para valorização do conhecimento humano.
Para entrar em contato com Aurinete Vieira Lima da Fonseca: aurinetevl@hotmail.com
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